domingo, 28 de setembro de 2008

Normal demais!

Gostaria de dizer que era quando era mais novo, mas, na verdade, até hoje sou chamado de estranho, anormal. Com o tempo a intensidade e freqüência desses vocativos vem diminuindo, a vontade de aparecer minguou significantemente, sem falar na mudança de personalidade por si só.

Claro que não é agradável ser rotulado como diferente, mas havia um certo encanto em ser exótico. Por vezes ficava um tanto quanto triste por não ser lá tão aceito, mas, fique tranqüila, nada que me tenha seqüelado. Na verdade, pode até ter ajudado na construção psico-ética deste que vos escreve.

Pois bem! Não quero mais ser normal, ou, pelo menos, quero não querer! Afinal, ser normal, hoje, implica certos comportamentos que, sinceramente, não me atraem.

As pessoas normais tem terapêutas! Elas se vestem supostamente diferente, mas ainda assim, de forma bastante padronizada... E nem pense em tentar preservar sua saúde! Normal é ser adversativo: não comer comida de microondas, mas fumar; fazer reeducação postural, mas continuar usando a velha mochila de costas; Lavar bem as mãos, mas adorar carne mal passada.


Sem falar que ser feliz é bem inaceitável! O correto é estar "a procura da felicidade". Certo? Nunca! Você não pode estar certo! "Na sua opinião você está certo! Isso é no que você acredita!", nem a verdade existe mais...


Os normais não tem problemas! Eles têm distúrbios, problemas de infância, síndrome do pânico, ou qualquer uma dessas "freudisses". Eles compram a felicidade em comprimidos, compram sexo em raves e seus confidentes são pessoas imparcias, lê-se desconhecidas, com quem eles podem se abrir!


O companheirismo de uma pessoa normal é aquele do bar, e só, o que passa disso é íntimo de mais, pode até ser mal interpretado.


Pois, como disse, não quero ser normal, não, sou bem feliz sendo eu mesmo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Ouvi, com atenção, a parábola da figueira!"

Solitário, um homem planta uma figueira e cuida dela adubando, regando, amando, durante muito tempo, sem que nada brotasse. Mas ele não desistiu: cuidou por muito tempo, tempo em demasia.

Talvez ele estivesse para desistir...mas, no proclamar de uma nova era, surgem flores fazendo a alegria do nosso agricultor. Mal sabia ele, porém, que muito ainda teria que esperar... que os frutos seriam tardios.

Ele não desanima, continua ali, sem descansar.



Mas aconteceu, entre o esperar e o desesperar, o primeiro fruto! Era tenro, quase sem sabor, mas era um fruto! Outros vieram, alguns muito melhores, outros nem tanto, mas eram sem dúvida saborosos.



Mas, vai entender "a eterna contradição humana"! Como quem nunca tivesse esperado, o homem para de cuidar da figueira, quando se aproxima, é apenas para pegar figos!



Pouco a pouco morre a figueira, mas ele nem se preocupa, já nem a amava tanto assim. Louco engano! Depois de a ter perdido, aí sim entra em desespero! Porque, no jardim desse homem, onde apenas figos, e que figos!, havia, nem margarida nasceu. E ele? Ele morreu de fome.

E a figueira? A figueira, hoje, dá frutos pra algum rei da antiguidade.

domingo, 21 de setembro de 2008

Acidente

De uns dias pra cá tenho estado nostálgico. Mas não é uma nostalgia normal, não é de alguém que já passou, ou de alguma época passada, não, tenho sentido saudade de mim. Uma saudade que, penso eu, vale a pena explicar pros meus amigos leitores.

Que sinto muita saudade de muita coisa acho que não é preciso falar, importante é salientar que nunca tinha dado por falta de mim mesmo. Acontece que, não raro, as pessoas se esquecem de si mesmas, de se conhecer, de se amar, de passar um tempo consigo. Não estou aconselhando ninguém a se tornar anti-social, não, estou falando de mim, algo que ocorre comigo.

Somos seres multifacetados, nós, os seres humanos. Temos várias características, linguagens, expressões. E precisamos usar algumas delas com menos freqüência do que outras. Então, não é surpresa se potencializarmos algumas delas, deixando de lado outras. Mas, o que acontece, pelo menos comigo, é que às vezes damos ênfase àquilo que não é o mais importante. Não que estejamos sendo falsos, de maneira nenhuma! Estamos simplesmente sendo superficiais. O ser humano tem uma essência, disse o filósofo, e, digo eu, é a ela que devemos dar mais importância, projeção! Porque, se formos salientar aquilo que é acidental, então estamos nos perdendo de nós mesmos, transformando em essência o que é acidental, o que é essencial em nada.

As razões dessa inversão? Gostaria de saber, mas não o suficiente para tentar descobrir. Prefiro concentrar meus esforços no retorno àquilo que realmente é importante, ou seja: a mim. Claro que não cabe aqui o discurso da aparência do egocentrismo. Afinal, estamos falando de nós e de nós. E se for para escolher em qual devo me focar, digo que esse alguém seria eu mesmo.

Confuso o último parágrafo, não? Se preciso for, leia de novo. Pode ser que você deixe passar alguma linha de raciocínio, mas não saia daqui sem entender o que realmente importa.