Se perguntarem por mim, diga que saí por aí. Diga que fugi. Chame-me covarde, difame a honra que não possuo. Se perguntarem porque fugi, diga apenas que a dor não passa, que não há consolo que me console, nem ombro que me conforte. Se perguntarem qual chaga me dói, responda-lhes que são inúmeras únicas chagas.
Diga-lhes que me dói no peito uma chaga de frustração. Que no ombro me arde uma marca de ingratidão.
Que na pele me pega o frio de meu telhado vandalizado. Que na garganta me seca uma água turvada. E se, ainda assim, não se compadecerem de mim, diga-lhes que no estômago carrego o pão, o pão de uma traição.
Mas, se, do contrário, por mim se entristecerem, diga-lhes que não há pena que me sacie a sede de perdoar. Perdão imerecidamente conquistado. Perdão a duras penas mantido, fruto da fraqueza de quem só aprendeu a amar sem ser amado.
Quando me encontrarem o corpo, diga-lhes que foi um Davi que, na confusão de quem só se vê, viu, em Jônatas, Golias.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
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