Ingênuo. É o que eu sempre fui com a minha mania de acreditar nas pessoas. Acreditar que elas falam a verdade, que elas podem mudar, que elas não vão mudar. Claro que, no fundo, a gente sempre sabe que está sendo enganado, mas também não sabe. É um conhecer desconhecendo, mas, caso tivermos coragem suficiente para acabar com a utopia que criamos para nós, então veremos que não se pode confiar.
Talvez o motivo de eu ter me enganado esse tempo todo sobre o ser humano seja o fato de ser também um. Ora, admitindo que todo mundo mente passo a admitir que eu também minto. Não quero lembrar que também posso cair. Mas se já não podemos acreditar nas pessoas que nos ensinaram a confiar, será que somos de todo confiáveis, ou melhor: será que somos de alguma maneira confiáveis?
Não, caro leitor, não sinta pena de mim, nem me julgue um pessimista, sou muito otimista, apenas agora vejo o que há muito é verdade universal: maldito o homem que confia no homem!
Claro que foram necessárias várias situações para que eu compreendesse a fatalidade desse verso, no entanto, veio a tempo, ainda sou jovem.
Então abra seus olhos: anjos mais velhos também caem e não adianta se agarrar a balões mágicos: eles estouram. Quanto a mim, vou tentando não ser de todo cético, e, no mínimo, confiar em mim mesmo.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
Ponte
Corre, anda, voa!
Sofre, chora, sua.
Sua partida, nossa dor!
O fim, meu amor.
Mas, ouve: Vem num arrebol
O Sol de um novo dia,
O adeus do rouxinol,
O olá da cotovia!
Corre, anda, voa!
Volta para os braços tais,
Pois eis que nos jardins já soa
A cantoria de um oi no cais!
Sofre, chora, sua.
Sua partida, nossa dor!
O fim, meu amor.
Mas, ouve: Vem num arrebol
O Sol de um novo dia,
O adeus do rouxinol,
O olá da cotovia!
Corre, anda, voa!
Volta para os braços tais,
Pois eis que nos jardins já soa
A cantoria de um oi no cais!
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Mar-drugada.
Saudade é um bicho sonso. Faz a gente sofrer, sabe? Vai se alojando devagar, e quando a gente vê, assim, do nada mesmo, já tá meio que entalada na garganta... Enganadora, essa dona: fica de tocaia, se escondendo no meio da solidão, esperando o próximo desapercebido passar.
É meio que alucinógena, não é, não? O povo diz que cachaça tira o juízo, pior que a cana é a falta: a gente esquece, seu moço, do que o passado nos fez de mau, esquece o porquê de deixar ir.
Ela está lá, à espreita, esperando a música certa, a madrugada propícia... Porque quer momento mais fácil de saudade bater na gente do que de madrugada? Não há. É por causa de que está escuro, sabe? Sabe não? Pois então esclareço: É no escuro que a gente vê coisa que não está ali, e não vê o que está. Por isso que, meio que ali onde a memória e a falta de luz se dobram, a gente vislumbra partes boas de um passado não tão bom assim. Aí dá uma dor... Mas passa, como qualquer outra droga, saudade passa.
Nostalgia... Parece nome de doença. Parece não, é! Pode saber que muita gente já morreu de saudade. Gente definhando, sucumbindo, diante da sombra do que era alegria. Pois quer saber por que saudade mata? Porque é que nem água do mar. A gente vê, e vai dando uma agonia de não poder beber... E fica só na contemplação, esperando a água de verdade aparecer, e, quando cansa de esperar, aí danou-se: não dá pra viver de saudade não, é muito salgado.
É meio que alucinógena, não é, não? O povo diz que cachaça tira o juízo, pior que a cana é a falta: a gente esquece, seu moço, do que o passado nos fez de mau, esquece o porquê de deixar ir.
Ela está lá, à espreita, esperando a música certa, a madrugada propícia... Porque quer momento mais fácil de saudade bater na gente do que de madrugada? Não há. É por causa de que está escuro, sabe? Sabe não? Pois então esclareço: É no escuro que a gente vê coisa que não está ali, e não vê o que está. Por isso que, meio que ali onde a memória e a falta de luz se dobram, a gente vislumbra partes boas de um passado não tão bom assim. Aí dá uma dor... Mas passa, como qualquer outra droga, saudade passa.
Nostalgia... Parece nome de doença. Parece não, é! Pode saber que muita gente já morreu de saudade. Gente definhando, sucumbindo, diante da sombra do que era alegria. Pois quer saber por que saudade mata? Porque é que nem água do mar. A gente vê, e vai dando uma agonia de não poder beber... E fica só na contemplação, esperando a água de verdade aparecer, e, quando cansa de esperar, aí danou-se: não dá pra viver de saudade não, é muito salgado.
sábado, 12 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Naturalmente
Nasceu num Brasil de todos,
Cresceu entre ruas e cortiços,
Engravidou filhas de ninguém,
Morreu aquém.
Cresceu entre ruas e cortiços,
Engravidou filhas de ninguém,
Morreu aquém.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Tratado sobre a hipocrisia
Hipocrisia. A palavra que virou moda! Músicas, discursos, sermões, filmes... Todo mundo fala hipocrisia. Claro, ela dá um toque especial em nossos diálogos: um certo ar revolucionário, misturado com acusação, que acaba por isentar o locutor. Todo mundo gosta de falar da hipocrisia alheia! Acabou que tudo se resumiu a ela! Satanás deve se sentir ameaçado: continuando desse jeito vai perder o emprego. A hipocrisia tá levando a culpa por tudo: desde a fome até a mais nova CPI. O mais engraçado é que, assim como outrora acontecia com o pai da mentira, pouca gente realmente entende do que está falando quando aponta o culpado de todos os males.
Mas afinal: não é uma grande hipocrisia falar de hipocrisia? Pense bem: quem não é hipócrita? Tudo bem, você pode não ser o mais hipócrita da sua sala, mas vez em quando você é meio falso, não? Quero dizer, às vezes se faz necessário! Pois bem! Se hipocrisia é fazer o contrário do que se prega, todo mundo que sai por aí acusando-a de tudo quanto é, com o perdão da palavra, merda que acontece deveria se auto flagelar!
Não me julgue mal, caro leitor: não estou, de maneira nenhuma, fazendo apologia, ou mesmo defendendo os hipócritas de plantão. É só que cansa esse discurso de hipocrisia, hipocrisia, hipocrisia! A falsidade é um traço humano. Assim como o é a gula, a ganância, a inveja, e todos os outros defeitos sérios de caráter.
Odeio hipocrisia: primeiro, pelo fato dela ser repugnante ao extremo e ainda assim eu a cometer esporadicamente. Segundo, pelo que eu acabei de discursar ali em cima. Terceiro, por ela se fazer necessária. Explico: Uma hipocrisia provoca outra. A primeira não foi necessária, mas as seguintes o serão para sustentar a primeira. Adoraria se o mundo fosse de todo verdadeiro. Mas ele não é. Conviva com isso, ou melhor: seja diferente, ou, pelo menos, tente.
E, na busca desse clichê que é o mundo perfeito, que tal parar de falar hipocrisia? Como se não bastasse ela estar presente em nosso DNA, ela também tem que estar, de cinco em cinco minutos, ressonando em nossos ouvidos?
Mas afinal: não é uma grande hipocrisia falar de hipocrisia? Pense bem: quem não é hipócrita? Tudo bem, você pode não ser o mais hipócrita da sua sala, mas vez em quando você é meio falso, não? Quero dizer, às vezes se faz necessário! Pois bem! Se hipocrisia é fazer o contrário do que se prega, todo mundo que sai por aí acusando-a de tudo quanto é, com o perdão da palavra, merda que acontece deveria se auto flagelar!
Não me julgue mal, caro leitor: não estou, de maneira nenhuma, fazendo apologia, ou mesmo defendendo os hipócritas de plantão. É só que cansa esse discurso de hipocrisia, hipocrisia, hipocrisia! A falsidade é um traço humano. Assim como o é a gula, a ganância, a inveja, e todos os outros defeitos sérios de caráter.
Odeio hipocrisia: primeiro, pelo fato dela ser repugnante ao extremo e ainda assim eu a cometer esporadicamente. Segundo, pelo que eu acabei de discursar ali em cima. Terceiro, por ela se fazer necessária. Explico: Uma hipocrisia provoca outra. A primeira não foi necessária, mas as seguintes o serão para sustentar a primeira. Adoraria se o mundo fosse de todo verdadeiro. Mas ele não é. Conviva com isso, ou melhor: seja diferente, ou, pelo menos, tente.
E, na busca desse clichê que é o mundo perfeito, que tal parar de falar hipocrisia? Como se não bastasse ela estar presente em nosso DNA, ela também tem que estar, de cinco em cinco minutos, ressonando em nossos ouvidos?
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