Não sei, mas bateu uma vontade louca de entrar no primeiro circular que passar e não descer nunca mais. Sentar ali e rodar... por toda a cidade, conhecer-lhe as não-esquinas, os becos, os cruzamentos e tesourinhas, seus desejos e mistérios.
Olhar pela janela, ver os transeuntes, encarar as senhoras, suas crianças, os operários, os engravatados e, principalmente, aquele homem, ele que é tão comum, tão cheio de traumas, medos, alegrias, dores, que, por trás do assovio na calçada, também sustenta todo um universo pessoal e intransferível, mas ele não fugiu.
Não voltar, não olhar para trás, ter por companhia as poltronas e a catraca rangendo conselhos enferrujados de 'siga em frente'. E ir, e vir, mas nunca regressar, cada volta, tudo novo e velho, típico ciclo. Entrar em torpor, sono de ônibus, entreabrindo, ora sim, ora não, por simples reflexo, os olhos, checando a paisagem, sem a obrigação de descer em qualquer que seja a parada.
Em direção a garagem, ao repouso final. Assistir a cidade se acender e o céu enrubescer, empalidecer - ou seria eu diante de tanta covardia?
terça-feira, 19 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
O pouco que sobrou
Esqueça, Clarice, não há o que descobrir, e, caso haja, não vale a pena: do pó viemos, ao pó voltaremos. Somos, afinal, matéria, e o espiritual que um dia tivemos, assassinamos nos últimos três séculos. A tal razão de Descartes.
Somos homens, não? E estamos todos atrás do mesmo: uns chamam amor, eu chamo nada. É tudo ilusão, e já me enfadei delas. Tudo não passa de uma gama de hormônios, sinapses químicas. Compra-se felicidade na esquina, e não há porque esperar por um sonho de verão.
Já não resta muito da metafísica que tivemos um dia, o mundo está mudado. Resta talvez uma imitação barata do que outrora foi a Glória. Trocamos sua glória pela vergonha. Será que algum dia nos perdoaremos por isso? Ainda somos capazes de perdoar?
De fato, seria ótimo se o tal príncipe no cavalo branco viesse e restaurasse tudo com cetro de ferro. Sim, mande essa cavalaria, que hoje a fé me abandonou!
Somos homens, não? E estamos todos atrás do mesmo: uns chamam amor, eu chamo nada. É tudo ilusão, e já me enfadei delas. Tudo não passa de uma gama de hormônios, sinapses químicas. Compra-se felicidade na esquina, e não há porque esperar por um sonho de verão.
Já não resta muito da metafísica que tivemos um dia, o mundo está mudado. Resta talvez uma imitação barata do que outrora foi a Glória. Trocamos sua glória pela vergonha. Será que algum dia nos perdoaremos por isso? Ainda somos capazes de perdoar?
De fato, seria ótimo se o tal príncipe no cavalo branco viesse e restaurasse tudo com cetro de ferro. Sim, mande essa cavalaria, que hoje a fé me abandonou!
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