segunda-feira, 4 de julho de 2011

Amor

Amigos, amantes... Não consiste a diferença em simples fluidos corporais?

terça-feira, 12 de abril de 2011

Demolição

Uma tristeza sem razão que não para, com razões que não cessam. Infinitas razões, fantasmas, me espreitam um momento de fraqueza, solidão, e, quando não, já se apoderaram de mim. Mas, essas razões, já não são elas história?
A história, pesquei na filosofia - ou em algo de semelhante natureza - é reinterpretada, revivida, desconstruída e reconstruída. Algo sobre um passado irrecuperável. Ora, estou então condenado a reviver a minha dor - tijolo com tijolo num desenho lógico?
Passado irrecuperável, uma pinóia - e dane-se a reforma! Sou eu quem não se recupera diante de tal passado sólido. Queria eu desconstruí-lo e reinterpretá-lo a meu gosto, ou, quem sabe, apenas menos sórdido, excluindo qualquer coisa aqui e ali.  Ou talvez parasse antes, deixá-lo-ia ali, desconstruído mesmo, em ruínas – não é nisso em que deveria consistir o passado? 
Mas não, o meu são inteiras, indesconstrutíveis pirâmides e Coliseus. Que, não sei quanto à reconstrução, mas, tratando-se de destrutibilidade, são um passado vívido e eficiente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Experiência


Eu conheci a dor. A dor da perda, da amargura, da frustração. De várias dores experimentei. A dor do luto: por parentes, por animais de estimação, por mim mesmo. A dor do maltrato, a dor da angústia, da impotência e da solidão. Da culpa e do perdão. A dor de um braço fraturado, de um coração partido.  A dor da minha própria morte, da humilhação.

Conheci a dores alheias, talvez tão profundamente quanto possível. Aconselhei, apoiei e gosto de pensar que tive minha parte no cicatrizar, no untar e no lavar de certas feridas. Chorei com os que choravam.

Uma dor nova me acomete, silenciosa e sutil, me invade, incomparavelmente cognoscível.  Pesada e desafiadora. Uma dor companheira, solidária, partidária. Uma dor externa, não alheia: é minha, porque assim o escolhi há anos, por mais que não soubesse que o fazia. E me apropriava da dor de um irmão.

Tenho conhecido a dor, por ela sido experimentado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Greve

Eu nunca mais vou escrever. Porque escrevo o que sinto e me recuso a sentir novamente!