Eu conheci a dor. A dor da perda, da amargura, da frustração. De várias dores experimentei. A dor do luto: por parentes, por animais de estimação, por mim mesmo. A dor do maltrato, a dor da angústia, da impotência e da solidão. Da culpa e do perdão. A dor de um braço fraturado, de um coração partido. A dor da minha própria morte, da humilhação.
Conheci a dores alheias, talvez tão profundamente quanto possível. Aconselhei, apoiei e gosto de pensar que tive minha parte no cicatrizar, no untar e no lavar de certas feridas. Chorei com os que choravam.
Uma dor nova me acomete, silenciosa e sutil, me invade, incomparavelmente cognoscível. Pesada e desafiadora. Uma dor companheira, solidária, partidária. Uma dor externa, não alheia: é minha, porque assim o escolhi há anos, por mais que não soubesse que o fazia. E me apropriava da dor de um irmão.
Tenho conhecido a dor, por ela sido experimentado.
2 comentários:
aqui eu =) você sabe que eu gosto dos seus textos mesmo haha
O bom da dor é que passa, que cicatriza, deixa de existir, e com ela aprendemos. A resistir, reagir ou simplesmente entorpecemos diante dela.
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