terça-feira, 12 de abril de 2011

Demolição

Uma tristeza sem razão que não para, com razões que não cessam. Infinitas razões, fantasmas, me espreitam um momento de fraqueza, solidão, e, quando não, já se apoderaram de mim. Mas, essas razões, já não são elas história?
A história, pesquei na filosofia - ou em algo de semelhante natureza - é reinterpretada, revivida, desconstruída e reconstruída. Algo sobre um passado irrecuperável. Ora, estou então condenado a reviver a minha dor - tijolo com tijolo num desenho lógico?
Passado irrecuperável, uma pinóia - e dane-se a reforma! Sou eu quem não se recupera diante de tal passado sólido. Queria eu desconstruí-lo e reinterpretá-lo a meu gosto, ou, quem sabe, apenas menos sórdido, excluindo qualquer coisa aqui e ali.  Ou talvez parasse antes, deixá-lo-ia ali, desconstruído mesmo, em ruínas – não é nisso em que deveria consistir o passado? 
Mas não, o meu são inteiras, indesconstrutíveis pirâmides e Coliseus. Que, não sei quanto à reconstrução, mas, tratando-se de destrutibilidade, são um passado vívido e eficiente.

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