domingo, 10 de janeiro de 2010

Inocência

Elas estão lá fora. Ocilantes, calmas, em sua infinita mortalidade. Vigiando, velando meu quase-sono, esperando que grite, me afogue em Martíni. Uma redoma de escuridão entre luzes, sussurando para a noite segredos sufocados no travesseiro.
Mas vão esperar em vão, essas malditas estrelas. Por que eu, infelizmente, não sou assim: não rompo represas, nem me entrego ao turbilhão de lágrimas e vento. Comigo, são chuvas rápidas, tempestades de verão que levam, pouco a pouco, ano a ano, a estabilidade, ruindo à prestações quem sou, o que restou do que era.
Não uma avalanche, mas pequenas e rápidas espifanias de desespero: erodindo, rasgando minha alma, o que você deixou aqui afinal no rompante e na pressa de quem vai pra não voltar.