sexta-feira, 9 de abril de 2010

Terra do Nunca Qualhada

"O adulto é solitário e triste, a criança é fantasia."

Considero-me adolescente e, o que quer que signifique com suas potenciais idas a sex shops, encarceragens e outras vantagens, a maioridade não é, não pode ser, o tornar-se adulto.

Sendo assim, como já é de seu feitio, Clarice me colocou, inocente e funebremente desapercebida, em uma inconveniente encruzilhada, uma quase crise de identidade. Somos nós, presos no limbo entre a idade adulta e a infância, classificados em qual rol!? Ou talvez não haja encaixe: como tudo o mais, quando se trata de adolescentes - não pense, aqui, que busco comiseração ou pena - somos aberrações, simples complexos híbridos.

Crianças que passaram do prazo de validade, desesperadamente tentando se provar adultas, sem saber que não haja talvez maior infantilidade. Vivendo uma triste fantasia vencida, murcha: uma ameixa velha e doce demais. Resquícios distorcidos de beleza não finda. Ruínas isoladas, uma solidão insana e fantasiosa, quase virtual. Projetos tenros de tristeza, o findar do verão.

Ainda assim, pretendo permanecer aqui, sendo o caminho de volta demasiado mítico, o máximo que puder. Chame-me covarde, não ligo. Só meia infelicidade, por favor.