quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Experiência


Eu conheci a dor. A dor da perda, da amargura, da frustração. De várias dores experimentei. A dor do luto: por parentes, por animais de estimação, por mim mesmo. A dor do maltrato, a dor da angústia, da impotência e da solidão. Da culpa e do perdão. A dor de um braço fraturado, de um coração partido.  A dor da minha própria morte, da humilhação.

Conheci a dores alheias, talvez tão profundamente quanto possível. Aconselhei, apoiei e gosto de pensar que tive minha parte no cicatrizar, no untar e no lavar de certas feridas. Chorei com os que choravam.

Uma dor nova me acomete, silenciosa e sutil, me invade, incomparavelmente cognoscível.  Pesada e desafiadora. Uma dor companheira, solidária, partidária. Uma dor externa, não alheia: é minha, porque assim o escolhi há anos, por mais que não soubesse que o fazia. E me apropriava da dor de um irmão.

Tenho conhecido a dor, por ela sido experimentado.

2 comentários:

Erika disse...

aqui eu =) você sabe que eu gosto dos seus textos mesmo haha

Unknown disse...

O bom da dor é que passa, que cicatriza, deixa de existir, e com ela aprendemos. A resistir, reagir ou simplesmente entorpecemos diante dela.