domingo, 17 de maio de 2009

O pouco que sobrou

Esqueça, Clarice, não há o que descobrir, e, caso haja, não vale a pena: do pó viemos, ao pó voltaremos. Somos, afinal, matéria, e o espiritual que um dia tivemos, assassinamos nos últimos três séculos. A tal razão de Descartes.

Somos homens, não? E estamos todos atrás do mesmo: uns chamam amor, eu chamo nada. É tudo ilusão, e já me enfadei delas. Tudo não passa de uma gama de hormônios, sinapses químicas. Compra-se felicidade na esquina, e não há porque esperar por um sonho de verão.

Já não resta muito da metafísica que tivemos um dia, o mundo está mudado. Resta talvez uma imitação barata do que outrora foi a Glória. Trocamos sua glória pela vergonha. Será que algum dia nos perdoaremos por isso? Ainda somos capazes de perdoar?

De fato, seria ótimo se o tal príncipe no cavalo branco viesse e restaurasse tudo com cetro de ferro. Sim, mande essa cavalaria, que hoje a fé me abandonou!

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