Que freqüentemente falamos de mais é fato. Mas será que, às vezes, ouvimos em demasia? Quero dizer, nunca tinha pensado sobre esse ponto de vista: se alguém fala de mais, então duas orelhas ouvem mais do que deveriam. Você pode dizer que não é a mesma pessoa que sempre ouve o falatório, mas quase sempre falamos com as mesmas pessoas, então, elas devem ser quem sempre nos ouvem.
Ouvem, ouvem e nada falam. Certas pessoas devem ter nascido pra ouvir: os problemas, as queixas, as crises, as risadas, podem até emitir opinião, mas não deixam de ser ouvintes, apenas se tornam participantes. Não só os que concordam, mas também o são os que criticam, se revoltam, aconselham, mas sempre em relação às palavras incontidas.
Esses espectadores da vida alheia se prendem como os antigos faziam aos rádios para saber dos últimos capítulos da sua rádio-novela. Acabam não falando. Não compartilhando o que estão passando, sofrendo, muito menos gritam suas alegrias. Ninguém sabe o que ele está sentindo, não que seja importante: Afinal, é só um amigo que está lá quando eu preciso falar sobre a costela da vaca da minha tia que partiu.
Ora, não fique com pena do ouvinte, tampouco. Inocente ele não é! Quem lhe obrigou a ficar quieto? Se não lhe perguntam é porque ele nunca demonstrou que queria ser perguntado! Nunca se expôs. Fica num ostracismo praticamente religioso que o faz cada vez mais ciente e distante dos que o rodeiam, que, diga-se de passagem, estão falando de mais para lembrar de aproximar-se.
terça-feira, 3 de junho de 2008
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