domingo, 25 de maio de 2008

Verde

Desde os treze tenho uma aversão a verde. A maioria das pessoas gosta da cor. Mas elas não tiveram que ir pra um acampamento e usar um minúsculo pijama verde. Muito menos ir para uma "festa havaiana", no mesmo acampamento, com short e camiseta verdes. Não fosse o bastante, a cor tem me perseguido desde então: mudei-me e com o que me deparo todas as manhãs antes de ir pra escola? Uma casa cor de musgo do outro lado da rua. Depois tem a minha sala de TV, que assumiu um lindo tom limão depois da visita da minha vó com suas capas para sofá. Na verdade, o único verde que, talvez, não me agrida os olhos é o natura. Ou pelo menos era.
Não se admire, então, caro leitor, quando digo que pessoas em verde me fazem reencarnar o póstumo almoço. É uma mistura de pena e rancor que me sobe do recôndito do estômago fazendo com que os lábios se dobrem na expressão mais desprezível possível: o sorriso enviesado, malicioso, que compara pessoas a algum tipo de samambaia pré-histórica.
Acontece que me surpreendi com a ausência dessa ânsia naquele dia em que veio em minha direção: o verde era óbvio, mas caía-lhe tão bem... Costumam dizer que o amor é cego. Eu discordo, ele é daltônico.

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