Dentre todas as criações, a que mais me amedronta é o tempo. Impressionantemente inconstante: ora se arrasta, ora voa, mas sempre nos entristecendo, entediando.
Horácio, Dirceu e o próprio Salomão discursaram sobre esse ser vil. Ele, que corre sobre nossas cabeças, que ora é muitos, ora nenhum. Que leva consigo amizades, dores, família, sentimentos, famílias. Ele que nos faz se acostumar, se conformar. Ele que nos faz calar. Que leva o nosso vigor, alegria, amor. Vai, aos poucos, consumindo a nossa saúde, o nosso semblante. Marca, corrói, destrói.
Mas o que mais me abala é o seu findar. Os dias, os meses, anos, séculos, milênios, eras. Tudo passará.
E não há o que fazer para não se entristecer com isso... Carpe diem? Não adiantaria muito. Chegará o momento em que o dia não mais será colhível, e assim o Tempo nos vai machucar, e pouco importa se antes disso aproveitamos ou não a vida.
Não pense, no entanto, que possuo uma visão negativista da vida. O Tempo em muito ajuda: nos faz evoluir, deixar para trás tempos difíceis, e nos mostra novos horizontes. Mas, e quanto aos tempos que nos fazem saudosos? Meus oito anos, a infância de Manuel Bandeira, o colegial, a pré-escola, o aprendizado do seu irmão mais novo, as brincadeiras de pega, os medos de ralo, as choranças quando papai viajava. Tudo isso passou, deixou nostalgia.
E tudo culpa dele, esse inescrupuloso Senhor, que não tem hora de chegar, muda nossa vida, e, depois, nos convida a rir, chorar, ou escrever sobre ele.
domingo, 22 de junho de 2008
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Um comentário:
"Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo"
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