Gostar. Palavra polissêmica, não? Pode assumir tanto o sentido de “gosto como pessoa”, quanto o de um embaraçado “gosto de você” perto do balanço.
Pois hoje me foi desperta a curiosidade: o que seria esse “gostar” do parquinho? Perguntei pra algumas pessoas, mas foi fechando os olhos e lembrando alguns momentos agradáveis, que cheguei a uma resposta provisória, porque essas coisas mudam de hora em hora.
Gostar é quando essa pessoa desconhecida nos acelera o coração ao se aproximar, e, depois de conhecida, preserva essa capacidade, apesar de usá-la com menos freqüência. É ter uma conversa de conteúdo, muito agradável. E não entenda, jamais!, por “conteúdo” assuntos necessariamente úteis.
É estar bem o suficiente perto dessa pessoa pra poder dizer que se sente um indivíduo melhor, mas não o melhor do mundo, porque aí seria paixão.
Quando o pensar na pessoa libera adrenalina, e deixa o ar com gosto de arco-íris. Porque gostar é primavera! Paixão não, paixão é verão. E amor? Ah! Amor é o ano todo.
O gostar mesmo dá aquele frio, ou borboletas, depende do seu gosto, na barriga quando a pessoa se aproxima. O toque, então, nem se fala! E, quando ela resolve se ausentar por algum tempo, qualquer coisa, um retrato, uma carta amarrotada, alivia aquela falta insaciável, que não chega a ser saudade, porque saudade é coisa de quem ama.
Achamos graça de tudo, até das “sem-gracezas”. Enfim, nos importamos. O suficiente para perder o ônibus, mas não o bastante para arriscar a vida, isso é coisa de apaixonado.
Perdoe-me, leitora amiga, a mania de nomear o inominável, mas, acredito que saibas, sou incorrigível, em certos aspectos literários.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
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