Sabe, há um ano, olhava para a Lua e via. Via alguém, tristeza, saudade, paixão e alegria. De certo, não fui o primeiro, nem o último, a ser encantado pela Grande Cafetina, como a cantou Elis. Não posso, no entanto, dizer se foi ela a única responsável pela enxurrada sentimental daquele dia, ou se teve ajuda das malditas catarses: overdoses de, no caso, comédias românticas.
Naquele dia, céu limpo que estava, erguia-se tal e qual moça que era, sim, pois não era senhora peruada que pelos baixos céus se exibe aos pebleus. Era jovem, e, por isso, ainda acanhada, mas cheia de si. Cheia de amores, cheia de vida.
Ó lua, ó lua bela dos amores,
Se tu és moça e tens um peito amigo,
Não me deixes assim dormir solteiro
À meia-noite vem cear comigo!
Hoje, olhei para o céu e vi nada. Nada além da lua, ao longe, como que coroada pelo tédio da névoa disforme. Amarelada, modorrenta. Lembrei aquele dia. Não por sentimentos similares, mas, talvez, pela simples posição, tanto da lua no translúcido céu, quanto minha no desconfortável sofá. De fato, estava destituída de seu encanto sedutor, estava nua, natural.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
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