segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

16h 50min

"Morre-se muito bem às seis ou sete horas da tarde." Sem pretensões, tenho que discordar do mestre Machado, devido a uma grande Machado. Não se morre muito bem nem às seis, nem às cinco e, muito menos, um pouco antes disso. Não, porque o morrer é como o apagar de uma estrela, que conclama todas as outras a fazerem o mesmo, os relógios a pararem, e toda alegria a brincar de um excruciante jogo de esconder.

Tristeza, palavra murcha de significado e insignificante, para a dor que nos acerta como onda rebentando nas despreparadas pedras de um riacho. Desesperança e saudade talvez sejam mais plenas de sentido, mas, ainda assim, não conseguem transmitir a real idéia. Talvez porque lhes seja proibido, às palavras, expressar tão fortes sentimentos, talvez, por não passarem de eufemismos do que experimentamos.

No entanto, o desespero testifica da confiança de que veremos "os mortos, grandes e pequenos, diante do trono". Seja para simples conforto, seja porque, quando enfrentamos alguém, nos inspiramos naqueles que passaram vitoriosamente por situação semelhante.

Conforto agora, me parece impossível, talvez esse venha com a tal inspiração. Fica, e ficará, no entanto, a certeza de que quem combate o bom combate, ainda que morra, viverá.

Em memória de Paula Machado França

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